9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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PSUS32 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Tendência temporal das ações coletivas de saúde bucal no Brasil: análise da escovação dentária supervisionada e impactos da COVID-19
Joao Marcos da Costa Ribeiro, Nadine Paiva Nogueira de Oliveira, Walbert de Andrade Vieira, Cristiane Maria da Costa Silva, Luiz Renato Paranhos
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A escovação dentária supervisionada é uma ação coletiva que contribui para a redução da cárie, especialmente em populações vulneráveis. Diante disso, este estudo analisou a tendência temporal da escovação dentária supervisionada no Brasil entre 2017 e 2025, com associação ao impacto da pandemia de COVID-19, aos indicadores socioeconômicos (IDH/Gini) e a cobertura de saúde bucal (CSB). Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, com dados secundários de domínio público, obtidos do DATASUS e do IBGE. A tendência foi estimada pela variação percentual anual (APC), enquanto o impacto da pandemia foi avaliado por série temporal interrompida (ITS). A associação com IDH/Gini e de CSB foi investigada por modelos lineares generalizados mistos com distribuição binomial negativa. Os resultados indicaram tendência global de estabilidade (APC = 1,83%; IC95%: -6,36% a 9,99%; p = 0,662) no Brasil. A análise interrompida evidenciou tendência crescente no período pré-pandêmico (APC = 9,52%; p = 0,046), seguida de redução abrupta durante a pandemia de COVID-19 (p < 0,001) e expressiva recuperação no período pós-pandêmico (APC = 18,24%; p < 0,001).

Observou-se associação positiva entre as escavações e o IDH, porém, sem associação com a cobertura e índice de Gini. A ausência de associação com a CSB sugere que as escovações dependem mais da organização dos serviços, da gestão local e da existência de programas intersetoriais do que da disponibilidade de equipes. O desenvolvimento socioeconômico influencia a capacidade de implementação dessas ações. Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas orientadas pela equidade, garantindo o alcance de populações mais vulneráveis.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  FAPEMIG   N° RED-00204-23  |  CNPq INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840/2022-9)
PSUS33 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Processo de cocriação de estratégias para implementação do MonitoraSB
Mayara Teixeira Siqueira, Raquel Conceição Ferreira, Maria Inês Barreiros Senna, Elisa Lopes Pinheiro, João Henrique Lara Amaral, Najara Barbosa da Rocha, Andréa Clemente Palmier, Rosana Leal do Prado
Odontologia Social e Preventiva UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Objetiva-se descrever o processo de cocriação de estratégias de implementação do MonitoraSB em seis estados brasileiros. Trata-se de um estudo metodológico, fundamentado na Ciência da Implementação, com abordagem participativa para apoiar implementação do Monitoramento e Avaliação (M&A) em saúde bucal no SUS. A pesquisa iniciou-se a partir do processo de identificação de barreiras e facilitadores à implementação. Os resultados dessa etapa, foram consolidados em um relatório que subsidiou a proposição de estratégias para implementação. Foram constituídos Comitês Gestores da Pesquisa (CGP) em cada um dos estados participantes, compostos por gestores, pesquisadores, estudantes, profissionais estratégicos e representantes da coordenação geral de saúde bucal. O percurso metodológico, estruturou-se em três etapas: atividades preparatórias, oficinas locais, e uma oficina conjunta. A análise das estratégias propostas pelos CGP nesta etapa, resultou na construção de uma matriz analítica única, composta por 72 estratégias, em quatro eixos temáticos: Articulação Intersetorial; Comunicação Estratégica e Advocacy; Gestão Institucional e Governança Orientada pela Equidade; Formação para a Gestão Equitativa no SUS; e Condições Estruturais - Infraestrutura e Tecnologia da Informação. Ao longo do processo, as estratégias foram revisadas, consolidadas e reescritas, culminando em um compilado estruturado com duas estratégias por eixo temático, acompanhadas das respectivas ações propostas para sua operacionalização.

O processo de cocriação proporcionou um conjunto de estratégias alinhadas às realidades estaduais capazes de subsidiar o M&A em saúde bucal neste âmbito, contribuindo para a qualificação dos serviços de saúde.

(Apoio: CNPq  N° 445286/2023-7  |  FAPs - FAPEMIG  N° APQ-05431-26)
PSUS34 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Impacto da saúde bucal na qualidade de vida e autopercepção após reabilitação protética no Sistema Único de Saúde
Ueligton Francisco da Silva Cordeiro, Ivan Onone Gialain, Maria Carmen Palma Faria Volpato, Lorraynne Dos Santos Lara, Aurélio Rosa da Silva Junior, Luiz Evaristo Ricci Volpato
Ciências Odontológicas Integradas UNIVERSIDADE DE CUIABÁ
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo analisou a autopercepção e o impacto da saúde bucal na qualidade de vida de pacientes reabilitados com próteses dentárias removíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foi realizada uma coorte prospectiva, conforme diretrizes STROBE, com pacientes com edentulismo total ou parcial atendidos na rede municipal de saúde de Tangará da Serra, Mato Grosso. Aplicaram-se os instrumentos GOHAI e OHIP-EDENT antes da reabilitação (T1) e dois meses após a instalação das próteses (T2). A comparação entre os períodos foi realizada por teste t pareado para escores totais e Teste de Wilcoxon pareado para os domínios. Associações foram analisadas pelo Teste de Mann-Whitney e a correlação entre os instrumentos pelo Correlação de Spearman (α=5%). Houve melhora significativa (p<0,001) nos escores totais e em todos os domínios após a reabilitação. Em T2, variáveis sociodemográficas não influenciaram os escores. Indivíduos economicamente ativos apresentaram maior impacto social (p=0,046), enquanto desdentados totais apresentaram maior impacto físico, psicológico e escore total (p<0,05), além de pior autopercepção funcional e global (p<0,05). Observou-se forte correlação entre os instrumentos (ρ=-0,815; p<0,001).

Conclui-se que a reabilitação protética no SUS melhora a autopercepção e reduz o impacto negativo da saúde bucal na qualidade de vida.

(Apoio: CAPES)
PSUS35 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Organização do trabalho e prática clínica em unidades Odontológicas Móveis na Atenção Primária à Saúde
Evalena Lima Cabral, Larissa Trajano de Souza, Cláudia Helena Soares de Morais Freitas
Pós Graduação em Odontologia UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo analisou como a organização do trabalho interfere nas práticas clínicas desenvolvidas em Unidades Odontológicas Móveis (UOM) na Atenção Primária à Saúde. Realizou-se pesquisa qualitativa em 12 municípios da Paraíba, com entrevistas semiestruturadas realizadas com nove cirurgiões-dentistas vinculados às equipes das UOM. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática. Os achados mostram que o funcionamento das unidades envolve atividades que ultrapassam o atendimento clínico, incluindo planejamento das rotas, transporte de materiais, instalação da unidade no território e limpeza e esterilização dos instrumentais. As condições de deslocamento, infraestrutura e organização do serviço influenciam diretamente o cuidado ofertado. Predominaram atendimentos relacionados à demanda espontânea, urgências e procedimentos curativos, especialmente exodontias. Limitações estruturais, como espaço reduzido, ausência de raio X odontológico e dificuldades de acesso aos territórios, restringem a resolutividade clínica e dificultam a continuidade do cuidado.

Conclui-se que as UOM ampliam o acesso à saúde bucal em populações com maior dificuldade de acesso aos serviços, porém o cuidado permanece condicionado às condições concretas de trabalho e à capacidade de organização local das equipes.

PSUS36 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Teorização sobre o acesso á saúde bucal de Pessoas em Situação de Rua: um estudo qualitativo de caso
Thallys Rodrigues Félix, Gustavo Fernando Silva, Natallia Gonçalves Souza, Mariana Cristina Sebaio, Álex Moreira Herval
PPGO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo objetivou compreender a dinâmica do acesso à saúde bucal das Pessoas em Situação de Rua (PSR) a partir de três perspectivas: das próprias PSR em contexto de rua, das PSR albergadas e dos gestores de albergues. O estudo qualitativo de caso foi conduzido em Uberlândia (MG) e fundamentou-se no referencial metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas e interpretados com o Modelo de Acesso à Saúde de Levesque e colaboradores. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 18 PSR em situação de rua, 17 PSR albergadas e sete gestores institucionais. Os resultados mostraram que a busca pelo cuidado em saúde bucal pelas PSR é tardia, episódica e subordinada ao imperativo da sobrevivência. O autocuidado é fragilizado pela precariedade material no contexto de vida na rua, pelo uso de substâncias e pelo estigma nos serviços. O albergue emerge como dispositivo mediador, devolvendo condições mínimas de higiene e orientando fluxos, mas impondo regras que limitam a continuidade do cuidado. Barreiras documentais, discriminação institucional e baixa resolutividade reforçam o afastamento.

Conclui-se que a trajetória de acesso à saúde por esta população é instável, marcada por barreiras diversas, que dificultam a busca, o alcance e a continuidade do cuidado. Por vezes, estas barreiras não se resolvem com o auxílio proporcionado pelo albergue. Ampliar o acesso exige arranjos assistenciais flexíveis, acolhimento não estigmatizante e articulação intersetorial efetiva.

(Apoio: CAPES  N° 88887.251816/2026-00  |  INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840  |  CNPq  N° 0001)
PSUS37 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Impacto da pactuação com o HOUFU no acesso à atenção especializada em saúde bucal no SUS em Uberlândia: estudo transversal
Roberta de Oliveira Alves, Elisangela Rodrigues, Giovanna Sousa Oliveira Chagas, Jaqueline Vilela Bulgareli, Carlos José Soares, Priscilla Barbosa Ferreira Soares
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

No município de Uberlândia, a Prefeitura firmou parceria com o Hospital Odontológico da Universidade Federal de Uberlândia (HOUFU) para ampliar a oferta de serviços odontológicos no âmbito do Sistema Único de Saúde, em consonância com as políticas públicas vigentes. O presente estudo teve como objetivo avaliar o nível de satisfação dos usuários quanto ao atendimento recebido nas clínicas odontológicas do HOUFU, a fim de subsidiar gestores na melhoria dos serviços e fornecer retorno à Prefeitura sobre a efetividade da parceria. Trata-se de um estudo transversal, conduzido a partir de dados coletados por meio de instrumentos digitais de avaliação respondidos pelos usuários após os atendimentos. A variável desfecho foi a satisfação geral, enquanto as variáveis independentes incluíram aspectos do atendimento antes, durante e após a consulta, além de condições estruturais e respeito aos hábitos culturais, costumes e religião dos usuários. Foram obtidas 1.173 respostas, evidenciando elevados níveis de satisfação geral, superiores a 80%. A maioria dos usuários avaliou positivamente o tempo para agendamento, a acessibilidade, o conforto e a limpeza das clínicas. Entretanto, o tempo de espera para a primeira consulta foi identificado como uma limitação logística relevante, impactando negativamente a satisfação. A confiança nos profissionais e a supervisão docente destacaram-se como fatores associados ao conforto e à segurança durante o atendimento.

Conclui-se que a pactuação entre HOUFU e Prefeitura de Uberlândia apresenta avaliação positiva, refletida no alto nível de satisfação dos usuários.

(Apoio: CAPES  N° #001  |   FAPEMIG   N° APQ-03041-23; RED-00204-23  |  CNPq  N° INCT - Saúde Oral e Odontologia N° 406840/2022-9 )
PSUS38 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Pré-natal odontológico e a percepção sobre saúde bucal de gestantes na Atenção Primária à Saúde
Sarah Arangurem Karam, Júlia Schuch Köhler, Letícia Regina Morello Sartori
Faculdade de Odontologia UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo avaliou a associação entre consulta odontológica e autopercepção de saúde bucal durante a gestação em Unidades Básicas de Saúde (UBS) da zona urbana de São Lourenço do Sul, RS. Estudo transversal com questionários autoaplicados, que inclui gestantes realizando consultas de pré-natal em sete UBSs entre março e setembro de 2025.A variável desfecho foi a autopercepção de saúde bucal, avaliada em percepção positiva (muito boa, boa) e percepção negativa (regular, ruim e muito ruim) de saúde bucal. A variável exposição foi a realização da consulta odontológica durante a gestação. Foram avaliadas covariáveis referentes a características socioeconômicas, comportamentais e de saúde. A associação foi analisada por regressão de Poisson, estimando razões de prevalência (RP) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Foram entrevistadas 109 gestantes, das quais 36,1% relataram percepção negativa de saúde bucal. Quanto à consulta com o dentista, 63,0% consultaram durante a gestação, e o principal motivo foi o pré-natal odontológico (60,3% [IC95% 48,07; 71,34]). Apesar disso, 77,1% (IC95% 68,03; 84,25) das gestantes não receberam nenhuma orientação de como cuidar da saúde bucal do seu filho. Na análise ajustada, as gestantes que consultaram com o dentista durante a gestação apresentaram 63% (RP 0,37 [IC95% 0,19; 0,71]) menos prevalência de percepção negativa da saúde bucal em comparação àquelas gestantes que não consultaram.

As gestantes que consultaram com o dentista apresentaram menor prevalência de percepção negativa de saúde bucal, indicando que a ida ao dentista durante a gestação constitui um fator de proteção para a autopercepção negativa da saúde bucal.

PSUS39 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Fatores socioeconômicos e provisão de procedimentos endodônticos no serviço público especializado de São Paulo: um estudo ecológico
Welliton Ermerson Pereira Marques, Walbert de Andrade Vieira, Cristiane Maria da Costa Silva, Luiz Renato Paranhos
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO TRIÂNGULO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo ecológico teve como objetivo estudar padrões da taxa de tratamento endodôntico primário executados no SUS e associá-los a indicadores socioeconômicos dos municípios do estado de São Paulo. Os dados foram coletados por meio do sistema Departamento de Informática do SUS (DATASUS) por um pesquisador previamente calibrado. A busca incluiu procedimentos relacionados a Endodontia registrados entre dezembro e janeiro de 2025 em municípios de São Paulo que possuíam Centro de Especialidades Odontológicas. Também foram coletados dados socioeconômicos, como Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), Produto Interno Bruto (PIB), população, urbanização, densidade urbana, população com baixa renda e cobertura de saúde bucal. Os dados foram analisados por meio de correlação de Pearson; método hierárquico aglomerativo; K-means; análise de correspondência múltipla e modelo de regressão binomial negativa. Ao todo foram incluídos dados de 121 municípios, totalizando 82.886 dentes. A análise do Método Hierárquico Aglomerativo (MHA) identificou três clusters municipais com diferenças significativas nos indicadores socioeconômicos. O cluster 1 identificou municípios de grande porte e com menor cobertura de saúde bucal. O cluster 2 abrange municípios de porte intermediário e o cluster 3, municípios de pequeno porte. A Análise de Correspondência Múltipla (MCA) identificou que o cluster 1 apresentou menores taxas de tratamento e o cluster 3, maiores taxas. Finalmente, a análise de regressão mostrou associação entre número de procedimentos com IDH, baixa renda e cobertura de saúde bucal.

Existe uma relação significativa entre fatores socioeconômicos e tratamentos endodônticos realizados pelo SUS no estado de São Paulo.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  CNPq  N° 406840/2022-9  |  FAPEMIG RED  N° 00204-23)
PSUS40 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Assistência odontológica no sistema prisional: estudo transversal em município paulista (2023-2025)
Jagne Inácio Dos Reis Marcelino, Vitor Rafael Gomes, Gabriel Alves Goulart, Michelli Caroliny de Oliveira, Caio Vieira de Barros Arato, Luciane Miranda Guerra
FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE PIRACICABA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Caracterizar os atendimentos odontológicos realizados em unidades prisionais masculinas do Município de Piracicaba, São Paulo, no período de abril de 2023 a abril de 2025. Estudo observacional, transversal e descritivo, baseado em dados secundários agregados provenientes de relatórios de produção do sistema e-SUS Atenção Primária à Saúde. Foram analisados registros agregados de atendimentos odontológicos segundo faixa etária, tipo de consulta, turno, agravos em vigilância em SB e procedimentos realizados. A análise estatística foi descritiva, por meio de frequências absolutas e relativas, utilizando planilhas eletrônicas. Foram registrados 4.199 atendimentos odontológicos, com predominância de indivíduos entre 25 e 34 anos (aproximadamente 43%). Observou-se distribuição de atendimento entre os turnos manhã (47,3%) e tarde (52,7%), e as primeiras consultas corresponderam a 52,8% dos atendimentos, enquanto as consultas de manutenção representaram apenas 1,1%. O principal agravo/queixa registrado foi a dor de dente. No total, realizaram-se 4.837 procedimentos, com predominância de raspagem supragengival (40,7%), exodontias de dentes permanentes (14,2%) e selamentos provisórios (14,8%). As ações preventivas apresentaram baixa frequência, como orientação de higiene bucal (1,6%), profilaxia (0,8%) e aplicação tópica de flúor (0,04%).

Os achados evidenciam um modelo curativo e centrado em demandas agudas, abrindo espaço para inovação no SUS por meio do uso inteligente do e-SUS APS como ferramenta de vigilância em saúde bucal no sistema prisional. A integração de dados, cuidado programado e ações preventivas pode reconfigurar a APS prisional, promovendo equidade, integralidade e gestão baseada em evidências.

PSUS41 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Percepção profissional do Diamino Fluoreto de Prata (DFP): Impacto do matriciamento e da capacitação na prática clínica no SUS
Maria Vitoria Zeno Passos da Silva, Hadassa Barros de Pieri, Caroline Pereira Sutani Andrade, Luana Camila Brisolla Ferreira, Antonio Carlos Frias, Edson Hilan Gomes de Lucena, Fernanda Campos de Almeida Carrer, Mariana Minatel Braga
Odontopediatria UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - SÃO PAULO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Analisamos a percepção de dentistas do SUS sobre o Diamino Fluoreto de Prata (DFP) da estratégia Dia B do Ministério da Saúde. No programa, atividades de capacitação profissional e de matriciamento são utilizadas na implementação da intervenção mínima para o enfrentamento da cárie no Sistema Único de Saúde (SUS) (91677825.4.0000.0075). A netnografia de grupos de matriciamento (WhatsApp) dos estados brasileiros, em busca de termos relacionados ao DFP. Usou-se como marco temporal a capacitação técnica, promovida pela equipe de apoio, sobre o DFP. Métodos mistos (análise de Bardin e qui-quadrado) foram empregados. Foram identificadas menções em oito estados.  Antes da capacitação, a maioria das menções era de consultas protocolares (70%), centradas em dúvidas técnicas e resistência estética. Após a capacitação, observou-se uma transição para relatos de execução prática e de validação de impacto (75%), com aumento expressivo na frequência de mensagens que confirmavam o sucesso clínico no território. Regionalmente, o Norte validou o DFP pela resolutividade em campo e pelo enfrentamento da cárie em áreas remotas, enquanto o Sul apresentou maiores barreiras culturais relacionadas à pigmentação. Houve mudança de padrão regional com a capacitação (região sudeste-mudança aliada à ciência), mas outras se mantiveram resistentes à mudança (região sul-fixação nas questões estéticas).

Existem assimetrias territoriais no uso do DFP, e a capacitação técnica atua como indutora de seu uso no enfrentamento à cárie. Assim sendo, o matriciamento setorizado viabiliza a customização regional necessária, adaptando o suporte técnico às demandas socioculturais específicas para a consolidação do DFP como ferramenta de enfrentamento da cárie no SUS.

(Apoio: CAPES  N° SCON2025-00032  |  CNPq  N° 409689/2023-8 )



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