9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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PNa0155 - Painel Aspirante
Área: 7 - Estomatologia

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

FOTOBIOMODULAÇÃO COM LASER DE ALTA POTÊNCIA DESFOCADO APÓS EXODONTIA DE TERCEIROS MOLARES: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Júlia Breda Soares, Thiago Calcagnoto, Bruna Barcelos só, Marco Antonio Trevizani Martins, Ana Rita Vianna Potrich, Renata de Almeida Zieger, Juliana Balbinot Hilgert, Manoela Domingues Martins
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O pós-operatório de exodontias de terceiros molares é frequentemente acompanhado por dor, edema e limitação funcional. Diante disso, este ensaio clínico randomizado, duplo-cego e placebo-controlado avaliou a eficácia da fotobiomodulação com laser de alta potência desfocado (LAPD) em 42 participantes submetidos à exodontia de terceiros molares inferiores impactados. Os indivíduos foram alocados em grupo submetido à fotobiomodulação com LAPD e grupo controle com aplicação simulada, com intervenções no pós-operatório imediato e nos dias 1, 2, 5 e 7. Foram avaliados dor (EVA e NRS-101), edema facial, abertura bucal, disfagia, hematoma, qualidade de vida (OHIP-14) e ansiedade, adotando-se nível de significância de 5%. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para dor, edema e abertura bucal em todos os períodos avaliados (p>0,05), com evolução semelhante para disfagia e hematomas. Na análise da qualidade de vida, observaram-se diferenças em itens relacionados à dor (p=0,02) e irritação (p=0,046), com piores escores no grupo controle, sem diferença no escore global. A fotobiomodulação com LAPD, no protocolo utilizado, pode influenciar aspectos pontuais da qualidade de vida, embora não tenha demonstrado benefício clínico significativo nos desfechos clínicos avaliados.

A fotobiomodulação com laser de alta potência desfocado, no protocolo avaliado, não demonstrou benefício clínico significativo nos desfechos pós-operatórios após exodontia de terceiros molares inferiores impactados. Apesar disso, observou-se influência em aspectos pontuais da qualidade de vida, sem impacto global relevante, sugerindo efeito limitado como terapia adjuvante.

(Apoio: INCT-BIOFOTO BUCAL  N° 46/2024  |  CAPES)
PNa0156 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Eficácia e segurança de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos na Odontologia: uma overview de revisões sistemáticas
Widla Emanuella Pereira Barreto Garcez, Renata de Castro Martins, Pedro Lucas Garcia Ferreira, Lucas Guimarães Abreu, Gail V. A. Douglas, Mauro Henrique Nogueira Guimarães de Abreu
Saúde Coletiva UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Essa overview de revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados (ECR) objetivou identificar a eficácia e a segurança de medicamentos com efeitos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, incluindo doses e durações, de uso ambulatorial odontológico. Foi utilizada a estratégia PICO, incluindo: População: pacientes odontológicos ambulatoriais; Intervenção: uso de ansiolíticos, sedativos e/ou hipnóticos; Comparação: com diferentes ansiolíticos, sedativos e/ou hipnóticos, ou com outras intervenções, grupo placebo ou nenhuma intervenção; Desfecho: eficácia e segurança desses medicamentos, incluindo doses e durações. Buscas eletrônicas foram conduzidas em sete bases de dados em maio de 2025 e atualizadas em janeiro de 2026. A qualidade metodológica foi avaliada através da ferramenta AMSTAR-2. Após a identificação de 1.974 estudos, 14 foram incluídos, publicados entre 2014 e 2024, em países como Holanda, Itália, Índia, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, China e Brasil. O medicamento mais frequente foi o midazolam (24,2%), seguido do diazepam (18,2%) e alprazolam e melatonina (12,1% cada). Os desfechos foram: redução da ansiedade, sedação em adultos e crianças/adolescentes, alívio de dor, controle de comportamento, uso adjunto para bloqueio de nervo, estabilidade de implante, saúde periodontal, mucosite oral e dor pós-operatória. Nenhum efeito adverso sério ou irreversível foi identificado. O midazolam aparece como a opção mais segura e eficaz.

Por fim, apesar de o estudo discutir diferentes estratégias de medicamentos para o manejo de desfechos em ambientes odontológicos ambulatoriais, são necessários mais estudos e protocolos para estabelecer padrões de dose para esses medicamentos na Odontologia.

(Apoio: CNPq  N° INCT Saúde Oral e Odontologia Nº 406840/2022-9  |  CAPES  N° 001  |  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG  N° APQ-00711-23 / RED-00204-23)
PNa0158 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

ANÁLISE DESCRITIVA DE PRESCRIÇÕES ODONTOLÓGICAS DE PSICOTRÓPICOS E ANTIBIÓTICOS EM IDOSOS NO BRASIL EM 2026
Myrelle Leal Campos Sousa, Widla Emanuella Pereira Barreto Garcez, Artur Xavier Nascimento, Wagner Meira Júnior, Ana Flávia Granville-garcia, Mauro Henrique Nogueira Guimarães de Abreu
Faculdade de Odontologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Objetivou-se identificar e descrever o padrão de prescrições odontológicas de psicotrópicos (antidepressivos, ansiolíticos, sedativos e hipnóticos) e antibióticos em pacientes idosos no Brasil. Foram usados dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), plataforma responsável pelo controle nacional dos registros de dispensação de medicamentos sujeitos a controle especial no setor privado. Trata-se de um estudo descritivo das prescrições realizadas por cirurgiões-dentistas para indivíduos com idade ≥ 60 anos, considerando registros vinculados ao Conselho Regional de Odontologia (CRO) no mês de janeiro de 2026. Foram identificadas 300.224 prescrições, das quais 56.356 foram para idosos. Houve predominância do sexo feminino (52,9%) e residentes da região Sudeste (57%). As classes farmacológicas apresentaram predomínio de antibióticos (97,3%), seguida de antidepressivos (0,5%) e ansiolíticos (0,05%). Sedativos/hipnóticos demonstraram representatividade reduzida no conjunto analisado. A amoxicilina tri-hidratada destacou-se como o medicamento mais prescrito, com 21.588 unidades dispensadas de forma isolada (38,3%), além de formulações associadas (12,3%). Entre os psicotrópicos, o oxalato de escitalopram foi o fármaco mais frequente, totalizando 55 dispensações.

Prescrições odontológicas para idosos no Brasil são majoritariamente compostas por antibióticos, indicando a necessidade de fortalecer seu uso racional.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  CNPq INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840/2022-9  |  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais  N° APQ-00711-23/RED-00204-23)
PNa0159 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Padrões da experiência de cárie no Brasil em duas décadas: evidências além da redução média
Pedro Henrique Duarte Franca de Castro, Mario Vianna Vettore, Maria Augusta Bessa Rebelo
PPGO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Dados dos inquéritos nacionais em saúde bucal informam o declínio do CPOD no Brasil. No entanto, o CPOD não detecta possíveis heterogeneidades da distribuição da cárie na população. A Análise de Perfis Latentes supera esta limitação pois permite identificar grupos homogêneos com diferentes padrões de cárie. O objetivo deste estudo foi caracterizar distintos padrões de condições bucais, a partir dos componentes cariado, restaurado e perdido do CPOD, segundo as faixas etárias, e ao longo de 20 anos, utilizando Análise de Perfis Latentes. Um estudo transversal repetido usou dados secundários dos Projetos SB Brasil 2003 (N=96.760), 2010 (N=36.898) e 2023 (N=40.414), estratificados em cinco grupos etários: 5, 12, 15-19, 35-44 e 65-74 anos. Observou-se uma expansão dos grupos com menor experiência de cárie ao longo do tempo, sobretudo entre adolescentes de 15-19 anos (2003: 13,2%, 2010: 36,1%, 2023: 49,1%). Entre crianças de 5 anos, o grupo com alta prevalência de cárie manteve-se estável (2003: 14,7%, 2010: 13,6%, 2023: 13,9%). Aos 12 anos, o grupo com predomínio de dentes restaurados retraiu em 2023 (2003: 16,4%, 2010: 16,8%, 2023: 11,9%). Em adultos e idosos houve retração do grupo com maior perda dentária, embora em idosos tenha aumentado o grupo com perda dentária avançada e cárie (2003: 19,7%, 2010: 21,3%, 2023: 28,0%).

De um modo geral, a experiência de cárie reduziu no Brasil nos últimos 20 anos. Porém, grupos com maior carga de doença ainda foram persistentes ou expandiram nos grupos etários. O uso da Análise de Perfis Latentes para identificar padrões de cárie em nível populacional pode contribuir para pesquisas epidemiológicas e para o planejamento de políticas públicas em saúde bucal.

(Apoio: CAPES  N° 88881.125345/2025-01)
PNa0160 - Painel Aspirante
Área: 9 - Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais / Odontologia Hospitalar

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

DEFEITOS DE DESENVOLVIMENTO DE ESMALTE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES FALCÊMICOS: FREQUÊNCIA, CARACTERÍSTICAS E FATORES ASSOCIADOS
Rayenne Augusta Mota Ferreira, Patrícia Luciana Serra Nunes, Maria Fernanda Sousa Vieira, Marilene de Fátima Reis Ribeiro, Müller Rodrigues Santos, Meire Coelho Ferreira, Susilena Arouche Costa, Cyrene Piazera Silva Costa
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO MARANHÃO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo investigou a frequência, as características e os fatores associados aos defeitos de desenvolvimento de esmalte (DDE) em crianças e adolescentes com e sem anemia falciforme (AF). Estudo transversal, realizado em São Luís (MA), Brasil, com 230 participantes de 3 a 14 anos, sendo 115 com AF e 115 sem a doença. A AF foi confirmada por eletroforese de hemoglobina, e os DDE foram diagnosticados pelo Índice DDE Modificado. Os desfechos incluíram presença, tipo e número de dentes com DDE, bem como sua distribuição na dentição decídua e permanente. As variáveis independentes incluíram idade, sexo, renda familiar e variáveis clínicas da AF, abrangendo complicações, número de crises vasoclusivas, histórico de internações e uso de medicamentos. Realizaram-se análises bivariadas, regressão de Poisson com variância robusta e regressão de Poisson inflacionada de zero (α=5%). A frequência global de DDE foi de 33,0%, com maior ocorrência no grupo sem AF (40,0%) em comparação ao grupo com AF (26,1%) (p=0,025). As opacidades difusas foram mais frequentes no grupo sem AF (26,1% vs. 13,0%; p=0,013). Após ajuste por sexo, idade e renda, a AF não se associou independentemente à presença de DDE (RP=0,64; IC95%: 0,40-1,03; p=0,067). No grupo com AF, a síndrome torácica aguda associou-se a maior número de dentes afetados (RP=5,42; IC95%: 2,77-10,61; p<0,001), enquanto o uso de penicilina profilática apresentou efeito protetor (RP=0,43; IC95%: 0,18-0,98; p=0,046).

Conclui-se que a AF não constituiu fator independente para DDE, reforçando seu caráter multifatorial.

(Apoio: CAPES)
PNa0161 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

O CAMPO DE ESTUDOS EM SAÚDE INDÍGENA NO BRASIL: EXPANSÃO, DISPUTAS E LIMITES EPISTÊMICOS (1988-2025)
Caio Vieira de Barros Arato, Vitor Rafael Gomes, Michelli Caroliny de Oliveira, Brunna Verna Castro Gondinho, Lucas Marques Angelim, Roberto Martins de Oliveira , Carlos Botazzo, Luciane Miranda Guerra
Saúde Coletiva FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE PIRACICABA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O objetivo foi analisar o campo da Saúde Indígena (SI) no Brasil ao longo das últimas quatro décadas. Realizou-se uma revisão de escopo, com buscas na Biblioteca Virtual da Saúde e no PubMed. Os dados foram extraídos conforme áreas temáticas. Foram incluídos 633 artigos. Observou-se aumento da produção. As publicações concentraram-se no periódico Cadernos de Saúde Pública. O locus esteve concentrado no Rio de Janeiro, com destaque para a Fundação Oswaldo Cruz. As áreas temáticas foram Saúde Coletiva e Epidemiologia. O campo da amplia-se ao incorporar dimensões inter e intraculturais, ao reconhecer que a autoridade do conhecimento não depende da validação pela ciência hegemônica. São as próprias práticas, territórios e cosmologias que fundamentam o saber, evidenciando-se como elementos constitutivos de um Brasil historicamente marcado pela marginalização desses conhecimentos. O que antes era concebido como "problema indígena" ressurge sob uma perspectiva invertida: como potência capaz de desestabilizar a pretensa universalidade do modelo vigente, reposicionando o território e a coletividade, elementos centrais da saúde coletiva, no centro do cuidado e pluralizando as formas de fazer saúde.

Embora o campo da SI tenha crescido, esse movimento reflete respostas reativas, e não um "desenvolvimento" epistêmico sustentado. Permanece dominado por referenciais biomédicos, com concentração da produção do conhecimento, enquanto os povos indígenas são reconhecidos simbolicamente, mas raramente considerados como fontes epistêmicas autônomas. A SI corre o risco de perpetuar o "reconhecimento" sem empoderamento, mantendo assimetrias e limitando o potencial dos sistemas indígenas de reconfigurar a(s) saúde(s) coletiva(s).

(Apoio: FAPs - Fapesp  N° 2024/18763-5)
PNa0162 - Painel Aspirante
Área: 9 - Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais / Odontologia Hospitalar

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Atenção odontológica em centro cirúrgico hospitalar para pessoas com deficiência (PCD): Análise na região de Lins-SP
Darlene Pereira Duailibi Sperandio, Tatiane Marega, Marcelo Sperandio
pesquisa FACULDADE DE ODONTOLOGIA SÃO LEOPOLDO MANDIC
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A odontologia hospitalar é essencial para o atendimento de pessoas com deficiência (PCD) que não toleram o tratamento convencional. Na região de Lins - SP, a ausência de centros cirúrgicos odontológicos especializados limita o acesso e compromete a continuidade do cuidado. Este estudo avaliou a percepção de cirurgiões dentistas sobre a necessidade de implantação desse serviço. Estudo observacional, transversal e descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa. Participaram 40 cirurgiões dentistas da região, selecionados por conveniência. A coleta foi realizada por questionário estruturado, e os dados analisados por estatística descritiva e análise qualitativa. A maioria dos profissionais possuía mais de 10 anos de experiência (65,0%), sendo que 55,0% relataram experiência com PCD, porém com baixa frequência. A necessidade de atendimento hospitalar foi identificada por 72,5% dos participantes. Dificuldades no encaminhamento foram relatadas por 82,5%, principalmente pela ausência de centros especializados (67,5%). Houve concordância de 97,5% quanto à implantação de um centro cirúrgico odontológico. Os resultados evidenciam demanda reprimida e fragilidades na rede assistencial. A implantação de um centro cirúrgico odontológico pode ampliar o acesso, qualificar o cuidado e promover maior equidade em saúde bucal. Palavras-chave: Pessoas com Deficiência; Odontologia Hospitalar; Anestesia Geral.

Houve concordância de 97,5% quanto à implantação de um centro cirúrgico odontológico.Os resultados evidenciam demanda reprimida e fragilidades na rede assistencial. A implantação de um centro cirúrgico odontológico pode ampliar o acesso, qualificar o cuidado e promover maior equidade em saúde bucal.

PNa0163 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Perfil dos brasileiros com relato de diagnóstico de câncer de boca, orofaringe ou laringe
Lara Martins Araújo, Nildelaine Cristina Costa Rocha , Débora Rosana Alves Braga Silva Montagnoli, Mauro Henrique Nogueira Guimarães de Abreu, Renata de Castro Martins
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo transversal descritivo analisou o perfil de indivíduos com relato de diagnóstico de câncer de boca, orofaringe ou laringe. Variáveis sociodemográficas, de acesso e uso dos serviços e de condições de saúde, provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), foram analisadas descritivamente no programa SPSS 22. A amostra foi composta por 91 indivíduos, com idade média de 63,46 anos. A maioria era do sexo masculino (59,90%), relatou ser da raça branca (58,30%), ter até 9 anos de estudo (59,00%), renda per capita de até um salário mínimo (48,40%), ter domicílio com água tratada para beber (76,70%), rede de esgoto (83,10%) e coleta de lixo (95,40%). Entre os fatores de risco, a maior parte declarou não consumir álcool (74,80%) e não fumar (66,90%). Sobre o acesso e uso dos serviços de saúde, a maioria relatou não possuir plano médico (73,00%) ou odontológico (96,40%), mas 99,20% relataram ter consultado um médico no último ano e apenas 41,60% relataram consulta odontológica no mesmo período. Sobre os hábitos de higiene bucal a maioria relatou utilizar escova (93,90%) e pasta de dente (92,01%), mas apenas 48,70% relataram uso do fio dental. A saúde geral foi considerada regular por 46,60% dos respondentes, enquanto a bucal foi avaliada como boa/muito boa por 62,80%. Além disso, 65,90% não relataram dificuldades para se alimentar e 58,40% não referiram limitações funcionais decorrentes da doença.

O perfil dos participantes mostrou-se condizente com a literatura. Muitos indivíduos ainda mantêm fatores de risco para o desenvolvimento da doença, apresentam baixa frequência de consultas odontológicas regulares e parecem dissociar a saúde bucal da geral.

(Apoio: CAPES)
PNa0164 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Fatores associados ao tipo de serviço odontológico utilizado e interação com o sexo na população adulta brasileira: uma análise multinível
Nildelaine Cristina Costa Rocha , Juliana Vaz de Melo Mambrini, Mauro Henrique Nogueira Guimarães de Abreu, Renata de Castro Martins
Odontologia Social e Coletiva UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo transversal avaliou fatores associados ao tipo de serviço de saúde bucal utilizado pela população adulta brasileira e possíveis interações com o sexo. Dados de 7460 adultos, de 35 a 44 anos, que participaram do SB Brasil 2023, residentes em 331 municípios, foram analisados. O desfecho foi o tipo de serviço odontológico utilizado, dicotomizado em público e privado. As variáveis independentes individuais incluíram sexo, idade, cor da pele, escolaridade, recebimento de Bolsa Família, plano de saúde, acesso à internet, tempo e motivo da última consulta, dor de dente, cárie, CPI, autopercepção da saúde bucal e de necessidade de tratamento. As variáveis contextuais incluíram IDH, Índice de Gini e cobertura de saúde bucal. Os dados foram analisados por Regressão Logística Multinível, com ponderação amostral e erros padrão robustos, no STATA 14.0. O maior uso de serviço público foi associado à maior desigualdade de renda (2º e 3º tercis do Índice de Gini, respectivamente: OR=2,09; IC95%:1,11-3,90; OR=2,17; IC95%:1,24-3,81) e recebimento de Bolsa Família (OR=1,83; IC95%:1,38-2,44). Maior escolaridade (≥9 anos; OR=0,28; IC95%:0,15-0,54), ter plano de saúde (OR=0,10; IC95%:0,04-0,23) e acesso à internet (OR=0,52; IC95%:0,29-0,94) associaram-se ao menor uso desse tipo de serviço. A análise de sensibilidade confirmou a estabilidade dos resultados. Apenas a cobertura de saúde bucal (2º tercil) apresentou interação significativa com o sexo feminino (OR = 2,61; IC95%: 1,14-5,96; p = 0,023).

O tipo de serviço de saúde bucal utilizado por adultos foi associado a fatores individuais e contextuais, com maior uso de serviço público por indivíduos com maior vulnerabilidade social e por mulheres em contextos com maior oferta do serviço.

(Apoio: CAPES)
PNa0166 - Painel Aspirante
Área: 9 - Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais / Odontologia Hospitalar

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

FATORES PSICOSSOCIAIS MATERNOS E SEU IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE BUCAL DE CRIANÇAS COM TEA
Victor Bruno Ferro Uchoa, Cleaide Ataíde Lima Assuncao, Lorena Lúcia Costa Ladeira, Susilena Arouche Costa
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO MARANHÃO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo teve como objetivo avaliar a associação entre fatores psicossociais maternos e a qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Trata-se de um estudo transversal com 150 mães de crianças com TEA, recrutadas em clínicas especializadas no Maranhão. A QVRSB foi avaliada pelo Parental-Caregiver Perceptions Questionnaire (P-CPQ). Ansiedade, estresse percebido, suporte social e qualidade do sono materno foram mensurados por instrumentos validados. Foram realizadas análises de regressão linear múltipla hierárquica, com nível de significância de 5%. A média do escore total do P-CPQ foi 14,48 (±11,14). Maiores níveis de ansiedade materna estiveram significativamente associados a piores escores de QVRSB (β=0,36; IC95%: 0,17-0,56; p<0,001), enquanto maior suporte social apresentou associação inversa (β=-0,10; IC95%: -0,20- -0,00; p=0,049). A ansiedade materna associou-se a maior impacto emocional (β=0,14; p<0,001), funcional (β=0,10; p=0,002) e social (β=0,19; p<0,001). Maior nível de suporte no TEA e pior qualidade do sono materno também influenciaram domínios específicos.

Conclui-se que fatores psicossociais maternos, especialmente ansiedade e suporte social, estão associados à QVRSB em crianças com TEA. Esses achados reforçam a importância de abordagens interdisciplinares que integrem saúde bucal e suporte psicossocial familiar.

(Apoio: CAPES  N° 001)



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