Impacto do tabagismo na qualidade de vida relacionada à saúde bucal: um estudo transversal
Soares AC, Picciani BLS, Assaf AV, Silveira FM, Gomes CC, Neves BTP, Valente MIB
FACULDADE DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE- PÓLO NOVA FRIBURGO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse
Os efeitos adversos do tabaco na saúde bucal são bem documentados, porém, seu impacto na qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) ainda é mal compreendido. Assim, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o impacto do tabagismo na QVRSB. Realizou-se um estudo transversal, observacional e analítico com uma amostra de fumantes e não fumantes atendidos em uma universidade pública do Rio de Janeiro. Foram coletados dados sociodemográficos e avaliado o impacto dos problemas bucais na QVRSB através do "Oral Health Impact Profile" (OHIP-14). Realizou-se o exame oral dos participantes, registrando-se o Índice Periodontal Comunitário (CPI), o Índice de Perda de Inserção Periodontal (PIP) e o CPO-D (Dentes Cariados, Perdidos e Obturados). Os dados foram analisados através de estatística descritiva e inferencial. Valores de p < 0.05 foram considerados significativos. Participaram 207 indivíduos sendo 112 não fumantes e 95 fumantes, entre estes, 54,25% eram do sexo masculino (p = 0,039), 54,72% relataram fumar mais de 11 cigarros/dia e o tempo médio de fumo foi de 24,74 ± 14,84 anos. Além disso, fumantes apresentaram maiores valores no escore total do OHIP-14 (p = 0,026), nas dimensões "limitação funcional" (p < 0,001), "desconforto psicológico" (p = 0,024) e "incapacidade psicológica" (p = 0,047). Não foram detectadas diferenças quanto ao CPO-D (p = 0,166), CPI (p = 0,959), PIP (p = 0,797) e número de dentes perdidos (p = 0,098). Em suma, fumantes apresentaram maior impacto na QVRSB, apesar de não serem identificadas diferenças entre os grupos quanto à condição clínica oral. (Apoio: CAPES)PN0762 - Painel Aspirante
Área:
9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva
Avaliação do desempenho das Equipes de Saúde Bucal no Brasil: uma abordagem da Teoria de Resposta ao Item
Scalzo MTA, Mambrini JVM, Machado ATGM, Abreu MHNG, Martins RC
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse
Este estudo avaliou o desempenho das Equipes de Saúde Bucal (ESB) brasileiras participantes do 3º Ciclo do "Programa Nacional de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica-PMAQ-AB". Foram avaliadas 22.993 ESB que responderam a um questionário estruturado. Foram avaliados 13 itens através do auto-relato dos profissionais sobre procedimentos preventivos, cirúrgicos, restauradores e relacionados a próteses dentárias e rastreamento/monitoramento de câncer bucal. Os dados foram analisados utilizando a Teoria de Resposta ao Item, por meio do software R. O coeficiente alfa de Cronbach foi igual a 0,53 e o escore relacionado ao primeiro componente explicou 45,32% dos itens analisados. A maioria das ESB realizou ações de atendimento de urgência (98,04%), preventivas (92,89%), cirúrgicas (92,09%) e restauradoras (93,21%). Poucas ESB realizaram ações relacionadas a próteses (29,95%) e de rastreamento/monitoramento de câncer bucal (9,83%). Os maiores parâmetros de dificuldade (b) foram para as questões relativas à realização de prótese (b=1,157) e ações para o monitoramento câncer bucal (b=2,544). O escore de desempenho das ESB variou de -3,65 (baixo desempenho) a +1,33 (alto desempenho). A curva de informação do teste revelou que os 13 itens são capazes de discriminar ESB com desempenho muito ruim daquelas com desempenho ruim. Os resultados sugerem que os itens avaliados mostraram algum potencial de avaliação do desempenho das ESB, sendo os itens relacionados a próteses e câncer oral os menos frequentemente realizados. (Apoio: FAPs - FAPEMIG N° PPM 00148-17 | PRPq-UFMG)PN0763 - Painel Aspirante
Área:
9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva
Avaliação do medo do Coronavírus em estudantes de Odontologia: um estudo utilizando a Escala de Medo da COVID-19
Souza SLX, Laureano ICC, Cavalcanti AL
Odontologia - CENTRO UNIVERSITÁRIO - UNIFACISA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse
Este estudo transversal objetivou avaliar o medo da COVID-19 em estudantes de Odontologia. Compuseram a amostra 120 estudantes de faculdades públicas e privadas no estado da Paraíba. Foram coletados dados sobre questões sociodemográficas e aplicada a Escala de Medo da COVID-19 (EMC-19), ambos de forma remota. Os dados foram analisados descritivamente; o teste de Kolmogorov-Smirnov foi usado para verificação de normalidade da variável escore total de medo da COVID-19; seguido do teste t de Student ou ANOVA e o modelo de regressão linear múltipla foi construído com as variáveis com diferenças significativas. Foi adotado o nível de significância de 5%. A maioria dos estudantes de Odontologia era do sexo feminino (71,7%), entre 21-25 anos (47,5%), vivia sem companheiro (75,0%) e com renda familiar mensal de mais de um e menos de três salários mínimos (44,3%). A média do escore total na EMC-19 foi de 20,84 (DP=6,79), com escore mínimo de 7 e máximo de 30. A maioria dos estudantes mostrou ter "pouco medo" da COVID-19 (42,5%), e o item "Eu tenho muito medo da COVID-19" foi o de maior valor médio. A pontuação média de medo da COVID-19 para estudantes com companheiro foi significativamente maior do que para os sem companheiro (p=0,012), assim como em estudantes do primeiro ao quinto período em comparação com os do sexto ao décimo (p=0,013). Conclui-se que a maioria dos estudantes apresentou pouco medo da COVID-19, apesar de o item "Eu tenho muito medo da COVID-19" ter sido o de maior valor médio.PN0765 - Painel Aspirante
Área:
9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva
Saúde bucal autorreferida da população adulta e idosa no Brasil: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019
Smith CV, Herkrath FJ, Queiroz AC, Cordeiro DS, Guedes AC, Herkrath APCQ
Daspam - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse
O objetivo do estudo foi descrever desfechos de saúde bucal autorreferidos da população adulta e idosa do Brasil. Foram analisados dados de 88.531 moradores com mais de 18 anos selecionados nos domicílios visitados na Pesquisa Nacional de Saúde 2019, correspondendo ao terceiro estágio de seleção amostral do inquérito. Foram estimados os desfechos relacionados ao módulo de saúde bucal do questionário, considerando o plano complexo de amostragem e os pesos amostrais. 62,6% (IC95% 61,9-63,2) referiram a perda de pelo menos um dente e 38,7% (IC95% 38,2-39,3) relataram o uso de algum tipo de prótese dentária. O número médio de dentes perdidos foi 4,0 (IC95% 3,9-4,0), sendo que 7,5% (IC95% 7,2-7,8) apresentaram dentição não funcional, 2,9% (IC95% 2,7-3,1), perda severa e 1,4% (IC95% 1,2-1,6), perda total. A perda dentária foi maior entre os indivíduos mais velhos, do sexo feminino, residentes em áreas rurais e que se declararam pretos ou pardos. A autopercepção da saúde bucal foi ruim ou muito ruim em 5,3% (IC95% 5,0-5,5) dos indivíduos e 1,8 % (IC95% 1,7-2,0) reportou grau de dificuldade intensa ou muito intensa para se alimentar por causa de problemas com seus dentes ou dentadura. Quanto maior a perda dentária, pior a autopercepção da saúde bucal e maior o impacto referido na alimentação. Apesar da melhora nos indicadores de perda dentária avaliados em relação ao inquérito anterior, não se observou diferença no impacto percebido pelos indivíduos. Iniquidades persistem nas condições de saúde bucal no Brasil. (Apoio: FAPEAM | CAPES)